segunda-feira, 18 de março de 2013

Livro Marcírio: Sinônimo de Memórias

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     O livro Marcírio: sinônimo de memórias foi escrito em 1999 pela mesma turma que em 1997 participou da escrita do livro Mapas da Cidade: Autoria, Identidade e Cidadania. Os textos que compõem essa publicação da turma que cursava a oitava série formam uma ciranda de textos que, abraçando a todos os participantes e suas lembranças, dá forma à memória, conceito que nos levou à produção deste trabalho. A seguir, apresentamos a capa e contracapa do livro, cujo desenho também é de autoria da aluna Carla Siste.






         Conheça alguns textos do livro:


         O texto que segue foi uma produção coletiva da turma. Eles analisaram os textos que formam o primeiro capítulo do livro: os fatos que marcaram nossa vida escolar. Após a leitura dos textos, os alunos divididos em grupos discutiram as temáticas escolhidas pela turma e anotaram suas explicações para cada temática. Num terceiro momento, os grupos leram suas conclusões e coletivamente montaram o texto no quadro


2.    Analisando os fatos que marcaram nossa vida escolar
 
Texto coletivo produzido pela turma 81 

      O texto que vocês vão ler agora trata de uma análise dos fatos que marcaram a vida escolar de cada um de nós alunos da turma 81. Entre os fatos mais escolhidos que iremos analisar estão: a amizade escolar em primeiro lugar,  em segundo lugar ficaram empatados os temas nosso livro e torneios na escola, em terceiro lugar ficou o tema desentendimento professor-aluno e em quarto lugar a morte de um colega de aula. Entre os menos escolhidos ficaram os fatos recuperação terapêutica, passeios, correspondência interescolar, primeiro dia de aula, repetência, desrespeito com colega, liderança, primeira namorada e uma professora que marcou.
     O fato amizade na escola foi o fato mais escolhido: dos trinta alunos que escreveram os textos, sete escreveram sobre amizade. Quase todas as pessoas que nós conhecemos têm várias amizades, umas melhores, outras nem tanto, mas as melhores mesmo a gente nunca esquece. São poucas as pessoas que dão valor a uma amizade verdadeira, pois amizade de verdade é difícil de construir e, dependendo da amizade, é fácil destruir. Um exemplo de amizade é nossa turma. Em meio a algumas turbulências, geralmente resolvidas, ela sempre permaneceu unida. Para nós não existe um exemplo de amizade que marcou tão verdadeiramente como o da nossa turma. Sabemos que é sempre bom ter uma amiga ou um amigo ao lado para podermos contar nossos segredos, para desabafar e ter um ombro amigo para chorar. Como diz a música do Milton Nascimento, Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito...
     Cinco dos trinta alunos da turma 81 escreveram sobre torneios na escola. Os torneios marcam muito na vida dos estudantes, porque jogar um torneio de futebol é diferente de estudar. Nos torneios você fala alto, xinga e se solta. Além disso, o esporte ajuda o desenvolvimento do corpo, o desenvolvimento mental e psicológico. Há também alunos que quando entram para a escola ficam na expectativa de jogar em torneio e assim mostrar toda a sua habilidade. Esse tipo de fato marca muito porque, independente de você ganhar ou perder, você fala sobre o torneio o ano inteiro. Achamos também que se fosse um torneio de vôlei não marcaria tanto, o negócio é futebol.
      Um dos fatos que mais marcou as nossas vidas foi a escrita do nosso livro Mapas da Cidade. Dos trinta alunos da turma, cinco escolheram escrever sobre o livro. O nosso livro marcou muito os alunos da turma 81, porque foi uma experiência nova para todos os alunos que o fizeram. Os alunos que escreveram se sentiram orgulhosos com um trabalho diferente feito por eles próprios. Esse livro que começamos a escrever em 1997 hoje é um grande orgulho para a turma 81.
     Três dos 30 alunos da turma 81 decidiram escrever sobre o desentendimento entre eles e alguns professores. Mas por que escrever sobre isso? O desentendimento geralmente acontece porque o aluno não gosta do professor, talvez porque o professor tenha dado uma nota baixa ou então porque ele pega no pé do aluno por causa do seu desinteresse pela matéria ou por pura birra. Essas discussões marcam a vida escolar. Quando as discussões acontecem, o aluno e o professor começam a se xingar e então o aluno se isola do professor e vice-versa. O aluno começa a ter dificuldades para aprender. Às vezes o professor nota que o aluno não está tendo bom desempenho na sua matéria. Se o professor nota que o aluno não vai bem, vai falar com o aluno. Quando o professor e o aluno conversam, geralmente fazem as pazes. Mas se o professor não quer saber de tentar conversar com o aluno (porque o aluno não toma a iniciativa de conversar com professor), o aluno começa a ir mal na matéria e corre o risco de ser reprovado.
      O quarto fato mais escolhido pela turma foi a morte de um colega chamado Carlos Alexandre. Ele era da turma 33, era um menino muito agitado, que chocou a muitos, pois teve uma morte trágica. Ele foi passar as férias num local onde tinha uma cachoeira. Então ele foi tomar banho e bateu com a cabeça numa pedra. Por que será que isso chocou tanto os alunos? Certamente porque seus colegas adquiriram uma forte afeição por ele e, mesmo ele tendo um temperamento forte, agitado, muitos ficaram sentindo saudades de suas brigas, de suas implicâncias e de suas discussões. Além disso, a morte de crianças em fase escolar não é tão comum assim. Esse foi outro aspecto que influenciou com muito impacto a vida de seus colegas de aula e, com certeza, continua fazendo parte da memória escolar de alguns.
      Depois de tudo isso, nós podemos concluir que os textos sobre os fatos mais marcantes do nosso Primeiro Grau não foram escritos somente para serem escritos, sem finalidade, mas sim para demonstrar a liberdade que temos de expressar para nossos leitores as nossas emoções.
  


    A seguir um trecho do último capítulo do livro cujo título era Para terminar a oitava série e este livro:
 

 
    Do Marcírio o que ficou em mim foram as amizades que eu conquistei, o companheirismo, a saudade das minhas turmas 53 e 63, os apelidos engraçados e, por fim, a turma que me aceitou muito bem, a 81. Ah! E os professores como a Rejane, a Jane, etc.

                                                         Taison Pereira da Costa





     Do Marcírio o que ficou em mim foi

    todos que considero os melhores amigos

    que uma pessoa pode querer,

    e até mesmo os inimigos que ninguém

    gosta de ter.



Os professores que foram

uns amores

e até mesmo os que são

uns terrores.



Todas as brincadeiras

as conversas e

zoeiras.



Afinal, tudo o que foi bom

será imortal!

Carla Viviane Borges Siste




e mim o que ficou no Marcírio: várias bagunças e participações nos torneios. Também ficaram queixas, várias amizades e um livro publicado que está na biblioteca para ser retirado, o “Mapas da Cidade”.
                                               Cristiane Lacerda 




De mim ficou no Marcírio

minha história,

minha memória,

meu jeito de ser,

meu jeito de viver,

meu jeito de escrever,

meu jeito de ler,

meu jeito de ver.

meu jeito de crescer,

mesmo que devagar,

mas aqui vai ficar.



No meu coração agora fica

uma alegria muito grande

mas no meu peito fica agora

uma tristeza tão profunda que pra sempre

vai ficar,

e do meu rosto correm lágrimas

porque vou te abandonar.


                                                 Jeanderson Primmaz da Silva




Do Marcírio o que ficou em mim foram...

Lembranças da minha infância

correndo e pulando pelos corredores.

Amizades que conquistei

Amigos que levarei no coração

e no meu pensamento.

Algumas brigas e desavenças,

mas tudo foi resolvido.

Algumas paqueras, isso não nego.

Lançamento de um livro que

comigo guardo.

Amizades com professores que

pra mim foram como pais,

ensinando, explicando,

xingando de vez em quando.

Do Marcírio levo tudo em mim

Dos momentos muito bons e dos

momentos ruins.



De mim o que ficou no Marcírio...

Lembranças, bagunças.

Minha infância toda

deixei aqui.

Até os tempos de adolescente.

Meus pensamentos, minhas

lembranças aqui ficaram.

Do Marcírio levo lembranças.

E aqui também as deixo.

   
                                        Cássia Mambac


De mim o que ficou no Marcírio foi o meu sangue, de tanto cair nessas lajes e me machucar, meus livros e gibis ficaram na biblioteca, minhas assinaturas de errorex nessas classes, e ali ficarão para sempre, até uma funcionária limpar. Meus átomos vão ficar, porque segundo a professora Jane, sempre ficam alguns átomos.
                                         Samuel B. de Lima 


Do Marcírio o que ficou em mim foram as lembranças que “revivo” a cada hora, minuto ou segundo que se passa em minha vida. Lembranças que machucam meu coração, formando uma ferida. Lembranças que fazem muitas vezes as pessoas se calarem. Porém eu não quis facilitar. Trago na memória lembranças de quando eu era pequenininha. Aí eu coloco os pés no chão e lembro que sou uma mocinha. Eu lembro de tudo e de todos, mas às vezes é melhor fingir que não me lembro. Pois, as mais belas lembranças sempre ficam nos pensamentos.
                                        Michele K. Moreira

Do Marcírio o que ficou em mim foram as amizades que eu cultivo, as lembranças dos professores bons e dos ruins também (mas naquelas...). No Marcírio aprendi a respeitar e ser respeitado, aprendi a ler e escrever, aprendi a namorar, e isso eu hoje faço como rotina. Levei muitas medalhas em torneios de futebol do Marcírio, defendi o nome da escola no torneio da ESEF, que é um torneio com várias modalidades. Lá eu joguei futebol. Várias escolas municipais participaram. Mas o que eu mais gostei foi de ter feito o livro com as biografias dos alunos do Marcírio e do Gilberto Jorge. O livro chama-se “Mapas da Cidade”.
                                   Felipe Vasconcelos

Saudade do que passou e não volta mais. As brincadeiras da 1a série, os namorinhos da 2a série e de tudo que passou de bom no Marcírio, que vai ser inesquecível. Os amigos, os professores mais queridos, a bagunça na sala de aula, os guris e as gurias brigando de frescura. Saudade de olhar para o lado e ver os amigos que passaram a infância e a adolescência com você. Não poder contar com a professora que se preocupa com a gente e nos compreende e que não é só mais uma professora, é também uma amiga. Eu, neste fim de ano estou um pouco triste, porque 8 anos da minha vida eu passei aqui no Marcírio e o que eu mais vou sentir é saudade, saudade do que passou e não volta mais.
                                 Daiana S. Martins

Do Marcírio o que ficou em mim foi a amizade dos colegas, funcionários e professores, que sempre me deram a maior força nos momentos ruins e nos momentos bons.
                                 Eduardo Peixoto

Do Marcírio muitas amizades ficaram, um pouco de nosso livro, dos torneios, festas juninas e gincanas. Do Marcírio, tudo o que é bom ficou em mim.
                                Daniela Moura

Do Marcírio o que ficou em mim foi a vontade de progredir, progredir com a vida, sem pensar o pior. Ficou a vontade de aprender cada vez mais, ficaram resíduos de saudades dos velhos tempos.
                                Fabrício Kistemacher

De mim o que ficará no Marcírio são poucas coisas, eu acho. Uma das coisas que ficará no Marcírio é a amizade, porque eu estudo aqui há oito anos. Outra são as brigas, que não foram muitas, mas numa delas eu levei uma ocorrência. Isso foi lá na primeira série.
Do Marcírio o que ficou em mim foram os torneios. Eu fiquei muito emocionado. O nosso livro também me emocionou muito.
                                 Juliano Silva

Do Marcírio o que ficou em mim foram saudades, saudades daquela escola que me recebeu com tanto carinho, com alegria, quando eu tinha apenas 9 anos, saudade daqueles professores que não mediam esforços para nos ensinar, saudades dos colegas que se tornaram verdadeiros amigos, de amigos que se tornaram verdadeiros irmãos, como a Michele, a Darlene e a Daiana.
                              Débora Lopes

Na escola Marcírio eu aprendi a viver, a me relacionar com as pessoas, aprendi a ser um cidadão. Eu agradeço à professora Ema que me ensinou a escrever, à professora Elisabeth que me ensinou a fazer as primeiras continhas de subtração e adição e à minha professora Janice que me ensinou a fazer as primeiras historinhas matemáticas.
                              Rodrigo Maia

Do Marcírio o que ficou em mim é a maneira que os professores usam para ensinar todos os alunos, eles têm um jeito amigo. E por falar em amigo, também vão ficar as amizades que eu consegui fazer aqui. Isso tudo eu tenho certeza que vai ficar na minha memória.
                          Luís Fernando Mello



Em 2000, a Secretaria Municipal de Educação organizou uma publicação  intitulada Ler e escrever o mundo: compromisso da Escola Cidadã que reunia trabalhos envolvendo leitura e escrita de várias escolas. Nossa escola esteve presente com uma síntese do livro Marcírio: Sinônimo de Memórias.




Capa do livro.

  

Página inicial do capítulo reservado à nossa escola.




         No link abaixo, conheça o livro na íntegra.

          Marcírio: Sinônimo de Memórias

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